A palavra "sanatorinho" dá cócegas e ataques de riso intermináveis. Teste. * Amigo e eu não desistimos daquele assalto. E nem de versos incorretos. Muito menos de abismos. E de sobremesas com calda quente de chocolate. * Amanhã de manhã vou voltar. E daqui um tempo vou me acostuma-ar. Dan canta no foninho, concordo, concordo. * Telefonemas matinais. Que horas são? Não tenho relógio. Sério. Tô atrasada. Dormi na sala, de novo. Vou dar aquela cama para os mendigos. Tu não é mendigo. Tá certo. Ainda não é. Pra que me ligaste esta hora? Não sou grossa, sou gaúcha. Ah. Não. Mas obrigada. Porque ainda nem acordei, estou atrasada, meu cabelo tá todo pra cima e não há condições de dizer alguma coisa além de “não” para todo e qualquer tipo de proposta. É. Digo muitas palavras por minuto. Não sou estranha. Sou mulher. O que? Este é um telefonema internacional? Como assim? Jantamos ontem. Conheço aviões, claro. Adeus? Prometo. Sem perguntas. Eu sei porque. * Livro bom da porra. Comentário de mesa de bar para Sylvia. E humilde. (piada interna, desculpem) * Hilda Hist, a negra gata, convidada para ser capa. No dia da foto, ar de diva, mau humor, preguiça, ódio, mordidas no fotógrafo, arranhões na diretora de arte, imitação de cobra. Quando a luz fica pronta ela se esconde. Gênio ruim é apelido. Carinhoso. * Não tem coisa certa. Fato. * Doa-se coração com fragmentos de lembranças, pedidos, sonhos, expectativas, sorrisos, cheiros, gostos, amanhecer, filhotes de gato, anéis, olhos, árvores, flores, desenhos, chuvas e um avô. Motivo: abandono da dona. Dizem que não foi por querer.
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h28
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Não adianta procurar, tem coisa que não existe. No sonho discutimos, a vida é breve, a sala é gelada, as ondas dão caldo mas não matam. Nada mata. A não ser as armas de fogo e as facas afiadas. A pressão pela criatividade, penso em ratos brancos. Um deles ganhou o carinho do cientista que deu a ele o nome de Prodígio. E Prodígio precisa ser melhor que os outros ratos brancos , por isto, o cientista grita ao lado da jaula, mais rápido, corre, pula na mini roda gigante, come a ração, vai Prodígio, não me decepciona, tu sempre foste o melhor. E grita e Prodígio corre e puta que pariu tem vergonha de dizer que está cansado e quer água e um siesta, quem sabe uma ratinha. Prodígio não diz nada, corre, pula, vai, não pode decepcionar ninguém. Só ele mesmo. Piso em tachinhas douradas e asso bolos de maçã e ouço Marina de La Riva, percebo madrugadas, escrevo, não durmo, elejo sofá o melhor lugar da casa e dou a ele um prêmio em almofadas. A vida é mansa, embora não pareça, Mamãe me espera na rodoviária, vestido lilás, meia calça, bota de chacrete, bolsa dourada, pele inacreditável, avisa: cheguei aos 50 aterrorizando velhinhos. Não era pra rir. Coisas poucas. Letras raras, palavras baixas. Quem de nós? Oncinha na caneta, no chaveado, gatos de dieta, muito simples. A-han.
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h10
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