Naquela tarde e veja, não era frio, não chovia, não havia sequer um relâmpago se aproximando ou coisa assim, posso até jurar que passarinhos cantavam com aquela felicidade histérica que lhes é peculiar, pois naquela tarde que era só uma tarde relativamente morna para quente, perdi. A cor dos lábios, uma certeza que ocupava imenso espaço interno, litros de orgulho, minha gargalhada número três e um certo brilho no olho. Coisas absolutamente irrecuperáveis como vês. Posso conseguir parecidas ou novas, quem sabe inéditas. Mas aquelas, aquelas se foram para sempre como se vão todas as coisas que morrem. E hoje, quando deito na rede azul e fecho os olhos, desvio daquela tarde para poder entrar nos pensamentos. E já nem estranho. Sei que quando entro, tenho aquela tarde quase quente, morna, para desviar. As vezes, me demoro mais olhando, as vezes menos, as vezes sequer percebo com lucidez e mal entro estou no pensamento/sonho/pesadelo/preocupação/imagem/letra/música adiante. Em noites como esta, a tarde me persegue. Se houvesse um tribunal divino esta tarde certamente seria condenada a morrer em um daqueles paredões onde militares em começo de carreira atiravam em pobres coitados. Morreria a tarde e fantasma, seria mais fácil. Mesa branca, dois pedidos, siga a luz tarde morna, quente? e me deixe em paz. Mas não há tribunal. Não há julgamentos ou condenação para tardes infames que sem dó algum fazem com que as pessoas percam suas preciosidades. Mas a culpa nem é da tarde, dirão alguns. E não discordo de todo. Acontece, que entre as possibilidades de culpa, a tarde é a menos improvável. Problema dela.
Escrito por Cristiane Lisboa às 01h23
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Antes tarde do que nunca:
"Ai, xangô, xangô menino, das fogueiras de São João. Tome conta do destino Xangô. Da fogueira e da razão. Céu de estrelas sem destinos, de beleza sem razão. Noites tão frias de Junho Xangô. Ai São João, Xangô menino. Viva São João."
Maria Bethania no Cd Brasileirinho.
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Já tomaste quentão hoje?
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As vezes, quando a cortina se abre, dá vontade de correr. Não corra.
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Da caixa de lápis de cor só uso o verde. Porque minha esperança é uma maragato teimosa. E só vai morrer de morte matada. Uma arma, por favor.
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Hoje a noite na Livraria da Vila entre 18 e 22 horas, Andrea del Fuego, la mujer, lança " A Sociedade da Caveira de Cristal" Engrosse a fila de autógrafos, meu bem. E entenda porque é do fogo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h23
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Omara Portuondo e Maria Bethânia cantam, cantam, cantam, gosto sobretudo quando Omara diz: brincos de princesa. Os gatos dormem, é inverno, eu escrevo, é o que sei. Mais isto e um pouco mais daquilo e seria a vida que pedi a Deus. Veja só como sou facinha. A despeito do que pensam de mim. Pausa para risos. E duas lagrimazinhas. Para não perder o hábito.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h47
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