" O amor precisa do cimento e das telhas de uma casa, sólidas paredes e telhado protetor. Mas, das janelas abertas para o mundo, uma vai estar sempre escancarada para um pátio íntimo e florido onde a sua lembrança me inunda de perfume. Hoje de manhã, no banho, cantei pra você: "These foolish things remind me of you." Como você pode não ter ouvido, ai do outro lado mar, eu ponho agora no papel. E te agradeço, com carinho."
Canteiros de Saturno, Ana Maria Machado (Ed. Nova Fronteira). Desde muito o livro que faz todo sentido nas minhas escolhas e caminhos. Que coisa, não?
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h04
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Todíssimas as coisas dão absolutamente errado. Umcoisassimimpressionante. Valha-nos Deus, Nossa Senhora e bate na madeira, tira o chapéu para passar debaixo da aroeira. Quando a coisa fica assim, insana, o Demo mostra o rabo e o condado se mostra hostil e cruel sempre encontro o amigo na rua. Sem combinar. E ele abraça forte e compra revistas, conhaque, elogia o sapato e diz no meio da conversa "O amor sempre lhe será grato. Confia, branquinha, confia. Quem ama uma hora ou outra começa a ser amado". E achamos que isto daria uma música, mas deve ser de alguém, não deve? e desistimos e faz frio e andamos mais rápido e da boca sai fumacinha e de maquiagem errada desco a rua Augusta sem tropeçar. Amanhece em São Paulo e passo a crer que jamais vou voltar a dormir.
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h18
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i-ching me salva desde que aprendi a ler
Nove em cima: A estagnação acabou. No começo, estagnação. No fim, grandes alegrias. O tempo de decadência não se converte por si mesmo em paz e florescimento, mas exige esforço para ser eliminado. A atitude criadora do homem é necessária para restaurar a ordem do mundo. Um dia a estagnação tinha que ser superada. Como poderia durar para sempre?
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h05
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Pausa para nosso comercial
Papel Manteiga para embrulhar segredos, o livro com título mais lindo que se tem notícia (e modéstia a puta que pariu) acaba de ganhar segunda edição com dois mil exemplares.
Sylvia não sabe dançar está no balcão de entrada da livraria Cultura do Conjunto Nacional, do lado de Noll e Jorge Amado. Uau.
A primeira publicação da Simples está na gráfica neste exato momento.
Tim,tim. E amém nóis tudim.
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h23
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Falo em espanhol durante a noite. Isto alguém me disse porque, como deves imaginar, não me ouço. Porque estou dormindo e quando durmo só ouço as teclas da máquina de escrever e o barulho das gavetas abrindo e fechando no peito. O dia vira uma cinza só, ouço "sumida" de todos com quem falo, será? As decisões tem pesos, medidas, as novidades calam porque precisavam de uma comemoração específica que nem sequer existe mais. O que existe ainda, aliás? Escrevo no corredor e deito no chão, mas sob almofadas. Trabalho sem parar, sem olhar para os lados, pensando em borboletas e chá de erva cidreira e bolo de fubá com erva doce esmigalhada. Lembro das manhãs e quase choro, pra que tanta consciência? Toca Mutantes, sopro lantejoulas pela janela, deixo o telefone tocar sem resposta e abro o livro. Aquele. Tsc,tsc.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h12
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Já é amanhã e o amigo e eu falamos pelos cotovelos através dos dedos nas teclas, plec,plec, acredito na opção randômica e começa a tocar o que? Cazuza. Porque as madrugadas não tem pena de ninguém e certos anjos da guarda gostam de mostrar serviço. "Ela não pulou, viu só?" Falamos nós e quando dói ele conta sapatos, ainda tem botas, vai sobreviver. Com uma obsessão que beira Toc, a doença do Rei e da Luciana Vendramini arrumo a estante, corto o dedo indicador, vou até o supermercado 24 horas comprar pregos, pipoca de microondas e um tapawer novo, tampa azul, veda bem, posso guardar ali meu fígado. As coisas fazem sentido mas não tem graça alguma, é sábado e ouvimos música e falamos sem que som algum saia da nossa boca. Então era pra isto tanta aula na faculdade, tanto livro, tanto papo, tantas droguinhas, tanto regime? Hilda Hist, a gata se aninha no meu colo e dá mini suspiros que compreendo bem o que significam. O amigo pensa em como avisar: eu também sinto, sabia? A amiga está na Bahia, talvez volte qualquer dia. E nós estamos vivendo, estamos tentando. Que Oxum nos proteja do auto-engano. Que as noites de inverno sejam mais generosas. Que YSL olhe aqui pra baixo e jogue umas peças de roupa. Que ao menos um terço dos nosso planos mais delirantes aconteçam. E que o coração pare dentro do peito. Ao menos esta noite.
“O coração dele fala comigo enquanto dorme, que é quando ele está desarmado.” Ademir Corrêa.
Escrito por Cristiane Lisboa às 00h47
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