"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo." Caio Fernando Abreu.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Decidiu: mel. Cheiro de mel com sei lá mais o que, não importa. Mel. O doce tem que estar em algum lugar, é preciso mandar embora um pouco do ardido pimenta que faz com que ela vá avante, não olhe para trás, nem para os lados, nem para si. O doce que ela continha escorreu. Devagar, mas escorreu. Todo. Não sobrou assim nem um teco para que algum curioso pudesse provar. Sobrou pimenta malagueta, dedo de cheiro, teta de moça. O que é bom também, mas só? Não vale. Ninguém suportaria. Nem ela. Ai entrou na loja e decidiu: mel. Colocou no pescoço, na dobra dos seios, na parte mais fina do pulso, no calcanhar. Mel. Doce. Um resto de pimenta dá a graça. Ele disse. E ela não riu.
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h43
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Jorge é de Capadócia
Porque é dia de São Jorge brindes e vivas. Aproveite o dia de hoje e dê um livro a uma criança. Dizem que dá sorte. E escute Jorge Ben e dance, dance, dance. Porque é quase inverno. E as coisas clareiam quando a gente decide a cor que quer elas sejam.
Jorge sentou praça na cavalaria E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem Para que meus inimigos tenham mãos, não me toquem Para que meus inimigos tenham olhos e nao me vejam E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo,meu corpo não alcançará Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia, viva Jorge! Jorge é de Capadócia, salve Jorge!
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento E disso tudo nasceu o amor Perseverança, ganhou do sórdido fingimento E disso tudo nasceu o amor
Ogam toca pra Ogum Ogam toca pra Ogum Ogam, Ogam toca pra Ogum
Jorge é da Capadócia Jorge é da Capadócia Jorge é da Capadócia Jorge é da Capadócia
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h45
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Faz pouco que escuto. Fui surda um pedaço imenso da vida. E agora sei como é pingo na água, letra, música, flauta, som. Ando apaixonada por descobertas recentes e me impressiono como palavra é linda cantada. Entre meus recentes - e já eternos - amores um moço lindo. Dan Nakagawa, que de quando em quando canta Rô-rô, deu um roupa chique, chique para "Se esta rua, se esta rua fosse minha", acaba de ter uma letra sua gravada pelo Ney Matogrosso e não sai da minha vitrolinha portátil. Hoje tem show. Se eu fosse tu, ia. E me levava um bombom de licor.
Dan Nakagawa Teatro Crowne Plaza Rua Frei Caneca, 1360 21 horas.
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Me olhas de dentro do box, pinto os olhos com kajal, pra que? Para tomar café da manhã e, quem sabe sabe, mentir naquela igreja erguida sob cabeças degoladas. É bom escrever pra ti. Alivia o peso das palavras e me dá uma sensação no baixo ventre, como se milhares de rãs cheiradas de cocaína pulassem de um lado a outro. Perdoe a falta de romantismo, meu lado rosa escureceu muito nos últimos tempos. Te confesso que é até bonito, tons mais escuros combinam mais com a minha pele leite com café ralinho. Leio José Eduardo Agualusa, um angolano muito triste e choro rios que não me pertencem. Quero que tu apareça na esquina onde sei, vou tropeçar e ensaio um texto quase mantra para dizer. Danço sozinha na rua, Jupter Maçã, presente do Príncipe, canta, canta, canta nos foninhos. Ainda não é inverno e a mulher foi clara: tudo será lindo no inverno. Matemos o sol, pois.
Escrito por Cristiane Lisboa às 09h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Passamos horas da manhã em um posto de gasolina, esperando o carro ser limpo e a vida ter mais coerência. Não muita, apenas o suficiente para que o nosso pequeno mundo faça sentido. Um sentidozinho de nada, é pedir muito? Nunca sabemos se foi certo,se foi errado. Foi, enfim. Fazemos o que é possível, compreender - e aceitar - isto é uma das partes mais dolorosas de sair do casulo e assumir, cresci. Pois fizeste o que dava. E não foi o que tu queria, graças a Deus, que pavor seria uma pessoa imaculada e perfeita tão perto de mim. O que os outros pensam disso é problema dos outros. O que tu pensa disso é problema nosso. Nada está sujo, violado. É apenas real. E o real tem pó, estria, espinha, calo, unha mal pintada, quadros tortos, paredes descansacando, geladeira pingando no chão da cozinha, pilha de roupas sujas fedendo dentro do tanque. O real é palpável, dói pra caralho e não tem pena de ninguém. Sei como tu te sente e só posso dizer: vai passar. Este véu vai cair e vais voltar a enxergar. Primeiro as borboletas, depois o detalhe amarelo das grandes asas das mesmas. E então, vais voltar a sentir por ti o que eu e ele sentimos: orgulho. E amor. Boa sorte, LP.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Nada de nada, vamos ir e voltar em histórias e músicas francesas. Sim, com dancinhas. Piaf era um pássaro, as vezes corvo, é verdade, mas não por vontade própria, já que por vontade própria somos sempre legais, coerentes e não tomamos dez injeções de morfina por dia. Não amanhecemos em Ipanema como canta Dan (show dia 22, despues hablo) mas amanhecemos em cadeiras de cinema. Que moram na sala. Que bonito isso, alguém lê em voz alta e me diz que é verdade? A nossa volta palavas grandes, imensas, paredes cinzas e aquele sonho estranho onde Caio Fernando Abreu veste uma camisa jeans e repete, repete, repete como é difícil, como é difícil, como é mesmo que a gente aguenta?Pergunto sobre céu e ele ri, gargalha. O navio afunda, acordo, bebo o que sobrou do vinho, como pão, Santa Ceia, acendo incenso, vela, rezo, a vela derrete, toda, que rápido, volto a dormir. Sem medo. Nem temor. Já disse e repito, os fantasmas estão cada vez mais interessantes.
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|