- O Papa hostinha vai passar o aniversário dele com o maníaco do parque. - Que? - Porra, Cristiane. - Eu não tenho a obrigação de compreender teus códigos. - Tem sim. - O Papa hostinha, guria. - O Papa Bento 16? - Este. - Que tem? - Vai fazer uma festa de aniversário na casa do maníaco do parque. - Na cadeia? - Como na cadeia? - O maníaco do parque está na cadeia. - Mas se ele é presidente dos estados unidos! Não vai ser preso nem por um caralho. Nem se jogar quatro crianças pela janela. - O maníaco do parque é o Bush? - Mas claro. - Eu não sabia. - Burrona. - Mas então, o papa hostinha vai fazer uma festinha lá, na cada do maníaco. - Porque? - E eu sei? Só sei que isso prova que eles vão apertar o botão vermelho. - O que explode o mundo? - Este. - E o que a gente vai fazer? - Dar risada, né? Só vai restar baratas e o Bozo. - Pai? - Que? - Eu já te agradeci por me ligar todo dia?
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h19
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Decido por músicas. Escritas, ditas, cantadas, banheiro, banheira, ponto de ônibus, em cima daquela árvore de onde caíste e tudo lentamente brilha. Brilha porque há uma libertação e um "vamo em frente com esta merda". Demorou. Mas veio. Porque tanta lágrima, tanta dor, não combinavam com este sangue que carrego, este lenço vermelho que uso no pescoço e a faca que carrego nas botas. Não triscaveis, é bom deixar claríssima a piada interna. A mancha que vejo da janela que não dá para nada parece um casal se abraçando, coisa linda, tu vê um peixe? Fazemos nossa própria revolução porque che morreu, o latim também e elvis, bem, elvis está sentado na sala conversando com Hilda Hist e esperando para ser filmado pelas tuas lentes. O amigo crocodilo manda mensagens de texto, vai me entregar, contar tudo, quem acreditaria em um romancista? Vamos em frente, pois. Que a vida é breve, rapaz. E a noite, mais ainda.
Escrito por Cristiane Lisboa às 00h06
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Vinho, conversa, vinho, conversa, câmera, pergunta, conversa, vamos ao cinema? Quarta, mais barato. Estômago. O livro é bom, o filme a gente vê. Abismos, abismos, escrever é cair no abismo e não saber. Não saber o que? Não saber nada. Não saber onde vai dar nem o que vai ser, nem quem diz o que. Como assim? Explica tu. A graça de escrever é encarar como leitura, o que acontece é desconhecido, mata densa, em frente, avante, olha o que o personagem fez. Mentira. Eu não minto. Mente. As vezes. Minto. Sylvia é tu? Não. Quer dizer, uma coisa, só uma. O que? O medo de ficar louca e descabelada. Tu está descabelada. Sério? Muito sério. Melhorou? Um pouco. Descabelada. Mas não louca. Um louco não admite a própria loucura. E gente normal não conversa sobre sanidade. Esta casa é escura. Prefiro assim. O meu olho acredita que é azul e dói quando tem muita luz. Não parece de verdade. Quem? A casa. Sempre dizem isso. Mas é. Agora melhorei. O sofá é fofinho, as coisas funcionam, o escritório tem luz, planta, rede, tapete, internet. Mesmo assim. O que? Parece um cenário. De filme. Espero que seja do Almodóvar.Com tanto vermelho. Amo vermelho. Tu fica bonita de vermelho. Fico. E humilde. A humildade significa outra coisa. Me explica? Agora não. Porque. Tá frio. E dai? Dai que eu quero ficar quieta. No meu colo. Sim. Então vem.
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h10
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Há que se recortar a vida em cortes bem pequenos e pouco precisos todos os dia. Misses (falo do coletivo de miss e não de armas) se candidatam ao cargo de mulher mais linda do país, quiçá do mundo, sob a justificativa de encontrar um grande amor. Acredite. Ou não. O mundo é um moinho e sinto-me tão em casa com certas gentes que assusto. Pouco. Mas assusto. A mais amiga avisa: por duas semanas não vou estar. Onde? pergunto. Em mim.
Garçom, mais dois iguais a estes. Por favor.
Escrito por Cristiane Lisboa às 21h21
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