O lançamento ? Tu pergunta via mensagenzinhas de texto. Como foi o lançamento? Morro de preguiça de escrever nas teclinhas de celular, no máximo digito ni-ni, te amo, atrasarei, sim e não, sendo que estes dois últimos tem na memória, sabia que os celulares tem uma memória não inventada por seus donos? Mas falávamos do lançamento, o lançamento, darling, foi gracioso. Usei um chapéu coisa mais rica do mundo, com uma abinha e pequenas contas pretas brilhantes aplicadas. Coquete me disse ele. Coquete, pisquei eu. Os amigos estavam lá, os de sempre, os novos, quatro velhinhos desconhecidos que viram a notícia no jornal, os não esperados, os muito esperados, o bebê mais lindo do mundo, o par de olhos azuis mais perigoso de São Paulo, o delegado de cidade do interior e o moço que me deu uma flor desenhada em papel de sonho de valsa. Estranho lançar em livraria, as pessoas chegam, compram, vão embora, estranho, estranho. De lá, noite escura, tempo limpo, um abracinho coletivo dos amigos e um chorinho escondido assim, derramado no banheiro. Tanta coisa, tanta coisa, eu já te disse que estou cansada das pessoas acharem que sou forte e safa e foda? O buquê de flores me deu um tombo imenso na calçada e eu sóbria a cada brinde mais sóbria e com uma cansaço imenso. Sylvia saiu para a vida, vai dançar lindamente em livrarias e em lugares e nos sonhos alheios, logo ela que já me é um fantasma tão querido. Mas não devemos ter apego. A nada. A ninguém. Levei caixas de canapés para casa, na esperança de novela com canapés e coca-diet, amo coca-diet, fico doida de coca-diet mas já em casa o gato gordo aproveitou o momento banho pós “olha como eu sou real, my boy” e comeu. Os de presunto parma, que os de peito de perú ele só pisoteou. Ai uma lua imensa e te digo foi bom, tudo foi bom, até o que considerei erro. E se eu pudesse dava um abracinho mais forte em todo mundo que foi até aquela livraria chique. E ai começou a amanhecer e eu nem tinha dormido mas isso não faz diferença nenhuma. Meu coração é pequeno, mas não cabe em mensagens de texto.
Escrito por Cristiane Lisboa às 18h19
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