Mergulhei nos potes de tinta guache azul céu que são teu olhos e nadei até ficar rouca. Quando tocaste a música que gosto, sai daquele mar dentro de potes, de céu, de tinta e dancei até as estrelas transmutarem em sol, bom dia, ainda é cedo. Teu beijo tem um gosto de sorvete de morango com calda de mel e o resto a nossa volta é sempre deliciosamente mentiroso.
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h09
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- Oi. - Oi. Ontem a noite descobri que de vez em quando uma entidade cigana baixa no meu corpo e dança cambré, sabe cambré? É um passo de dança onde a pessoa joga a cabeça para trás e vai assim, descendo até o chão. Tô com fome, vamos comer uma empadinha, ali naquele lugar que se come empadinha com colher de plástico. Odeio colher de plástico.Te contei que uma vez quebrei uma colher de plástico na boca e ela grudou na minha língua e meu pai achou que era um ataque epilético e... - Onde você estava? - Porque? - Tá nervosa. - Tô ótima. Olha esta saia. - Não, você está vestindo uma roupa toda colorida e falando sem parar, isso não significa estar ótima. - Quem te disse? - Ninguém. Onde você estava? - Que saco. Para de me encher. - Tá. - Vamos na empadinha? - Só se você deitar a cabeça no meu ombro, por cinco longos minutos. - Aqui é a rua. - Meu ombro é o mesmo em outro lugar. - É bom aqui. - Cala a boca, vai. Cinco minutos. - Longos. - Pst. - ..... - ..... - .... - ..... - ..... - Pode falar agora. - Acabou. - O que? - A vontade. - De que? - De falar para não enlouquecer.
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h57
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Me abraça? É que vou levantar. Não agora, mas vou. Levantar e explicar tudo isso, prometo. Não agora, mas vou. Deita aqui, apaga a luz. Por favor. Fica em silêncio comigo. Depois que aprendi e olha, doeu tanto aprender, pois depois que aprendi preciso tanto do silêncio. Até mato grilos. Me abraça, vai. Vou levantar logo, tem lua, não sono. Mas agora preciso deitar no escuro, contigo. Antes de levantar. Vou levantar, claro. Não agora. Mas vou. Esta pinta é nova, trouxe do Rio. Dormi no sol e acordei da mesma cor, mas cheia de pintinhas. Tem mais. Quer ver? Já? Mas eu vou levantar. Não agora, mas vou. Contar pintas não dá sorte. Me abraça, não faz doce. Me abraça logo, antes que eu me levante. Eu vou me levantar. Não agora. Mas vou, claro que vou. Eu sempre levanto. Todo mundo sempre levanta. Isso? Estria. Parece cicatriz, né? Não deixa de ser, afinal. Mas e o abraço? Me abraça. Com os dois braços. Com o peito, as mãos, o rosto. Me abraça antes que eu levante. Porque vou levantar. Não agora, mas vou. Levantar e quem sabe, colocar um salto. Um salto alto. Tu precisa me abraçar antes. Precisa me abraçar agora. Porque este drama? Assim, por uma abraço que nada mais é do que tu aqui, em mim, eu, ai, em ti. Só que tem que ser agora. Por favor. Fica calmo. Eu vou levantar. Eu vou ser feliz, viu? Não agora, mas vou.
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h39
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- Aquele cara ali, tá te olhando desde que a gente chegou. - Qual? - O barbudo. - Beiba, é um show em um boteco, todo cara é barbudo, especifica. - Cabeludinho. - É. - Ele é ótimo. - Não achei. - Por? - Barba e cabelo no ombro. - Gato. - Ele parece Jesus. - Que Jesus? - O Cristo. - Achei que fosse um cara chamado Jesus. - Tecnicamente, Jesus Cristo era um cara chamado Jesus. - Isso é. Mas e dai que ele parece Jesus? - Sou super católica.
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h59
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"Abrirei as portas do sonhos e começarei tudo de novo...." Tatá Aeroplano.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h46
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