Ana acredita que em sábados de muito sol, os centros das grandes cidades se transformam em locações para sonhos. Por isso e porque tem uma certa predisposição a loucura instantânea, acorda cedo em dias assim e escolhe a trilha sonora. Usa os fones brancos, mais pela boniteza. Dizem que os desta cor chamam a atenção dos ladrões, mas ela acha graça em medos sociais. Neste sábado, o que tocava nos poros, ouvidos, pés e ruas de Ana eram músicas desconhecidas feitas por uma voz que vez ou outra ela ouve ao telefone. Ou nos sonhos mais insanos. A voz era acompanhada de sons que ela desconhecia, mas que acordavam algo ancestral no sangue. Ana dançou em ruas vazias e cantou coisas que se tivessem sido ditas teriam poupado certas dores destrutivas. Tirou fotos de coisinhas minúsculas, outro hábito novo facilmente confundido com esquisôfrenia. Já era fim da tarde quando ela decidiu que as canções são sempre cartas de amor não enviadas e que de quando em quando o mundo ganha uma luz dourada que vem da sola dos sapatos dos anjos. Porque nos bailes celestiais tocam as músicas que ainda não escutamos. Sabia?
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No Teatro Fecap, em São Paulo, a Rosa Passos respeitosamente canta Elis Regina. E enternece até quem não acredita mais em nada. Se estiver por aqui, vá. De preferência, com alguém que te beije bem de va gar quando ela diz: quero ficar no teu corpo feito tatuagem.
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Arregalo os olhos de espanto ao perceber que existe mesmo quem se dá ao luxo de arriscar tudo, crendo que o destino vai segurar as pontas. Como dizia meu vô João: Deus até cuida do teu cavalo. Desde que tu amarre a corda.
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“Tenho alma de balconista.”
Maria Adelaide Amaral, na Rolling Stone deste mês.
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O pior de tudo é que o amor desconhece por completo a democracia.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h41
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