Em outra vida, assisti a um filme francês de animação onde os personagens existiam entre luzes e sombras, como nos teatros de boneco. Não lembro o nome, nem o diretor, apenas quem estava sentado ao meu lado e a sensação de boniteza que me acompanhou por horas e semanas. Ontem senti a mesma coisa, assistindo Persépolis. Luz, sombra, tudo dito em francês, trilha inacreditável e um dos melhores roteiros que já pude ver, sentir, ouvir. Estréia amanhã. Tu precisa ir.
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Penso, penso e não te digo: e me faça por favor, sorrir.
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h59
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Depois de anos sem conseguir sincronizar a data, no dia de Yemanjá, Ana estava com os dois pés dentro da água salgada. Como quando era pequena e não usava a parte de cima do biquíni jogou rosas brancas, perfume de alfazema, colares de pérolas. Agradeceu, rezou derramou seu próprio sal. A deusa da água salgada, mãe de todos os orixás aceitou de bom grado e mandou uma onda para lavar a alma da moça cujo nome lembra Terra. Ana foi embora caminhando bem devagarinho, sem pensar, mais ou menos como tem feito desde que perdeu um ou sete pedaços de si. Quando o peito ameaça abrir novamente ela pensa no mar e tudo bem. Sempre existe a possibilidade de pintar as unhas de vermelho-desejo na hora do crepúsculo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h20
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