Beibe, bye,bye
2008 será ano de Iansã e Oxum, já sinto os ventos, as doces chuvas, os trovões e, como o povo lá de cima, agradeço. E sorrio. Sempre achei a tempestade mil vezes melhor que a tal bonança e, antes água vindo do céu e árvores se descabelando que um azulão sem graça. Nestes dias de quase alguma coisa, bordo letras para pensar. Sinto. Muito. Neste que acaba, fui lá no fim e saí. Percebi que deixei pelo caminho coisas preciosas, na esperança que o fardo ficasse mais leve. Que engano besta. O que ficou dobrou de tamanho, impossibilitando a caminhada. Insisti, porque sou de gênio uma cachaça, cansei, porque de alma, sou um guaraná. Então, espanei o barro seco dos joelhos, tirei a mochila dos ombros e pus no chão. Abri com dificuldade, tirei aquilo, aquele outro, voltei um pedaço, resgatei o que dava, bati o pó de três sonhos, encontrei o espelho de Tia Etelvina, me reconheci, achei as sementes, o ventre agradece. Enquanto o chão que construí com sangue, lágrimas e azulejos portugueses seca, mergulho em um mar de água verde transparente. Na margem, penso em ventos, velas, nenhuma razão para ficar. O príncipe concorda, canta no telefone, repete mil vezes a frase que preciso ouvir e pega na minha mão. É preciso confiar, afinal. A noite escura tem que amanhecer, o ano novo será bom, o sol gargalha, aceito um mojito, rezo em voz alta, peço em espanhol, recebo, agradeço, caminho, aviso, vou. 2008 caminha a passos largos. Quando ele chegar vou estar pronta. De vestido vermelho. E com seis pulseiras novas. Pra ti, meu bem, tudo de muy lindo. Um Deus generoso. Capas de chuva em cores fortes. E aquilo que sonhaste.
Escrito por Cristiane Lisboa às 22h20
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