Sylvia não sabe dançar - Ateliê Editorial
Posso ir ao toallete, sim? Sem alarde, não pretendo correr desvairadamente pelos corredores e então em liberdade correr mais e mais. A burrice não é uma das minhas qualidades. Matei, claro. Já deixei isto bem claro. O homem errado. Não que houvesse intenção de matar outro homem, não me entenda mal. Matei porque fui ofendida, matei porque perdi totalmente os meus sentidos humanos, pisiquícos, foi uma agressão passional, um loucura momentânea, aquele homem fez com que eu perdesse a capacidade de raciocínio lógico, acredite, é verdade, pode falar alto comigo, não tenho medo. O senhor já matou alguém? Sabe que depois disso perdemos o medo do inferno e de qualquer outra pessoa? Pessoas são minúsculas faíscas de fogo, se pisarmos duas vezes em uma pronto, acaba-se. Mais rápido do que se consegue pensar: matei. Estou fraca. Se eu o mataria de novo, agora, se o encontrasse vivo na sala ao lado? Isso é uma afirmação ou uma pergunta? Desculpe, pelo seu tom não consegui compreender a pontuação exata.
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h40
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