Forrei um velho caderno com tecido bonito, escrevi sem pensar. Nada de ficção na vida real, ao menos desta vez.
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Pisas em meu nome agora. Será?
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Se tu moras em São Paulo, pelo amor do senhor vá assistir Mercedes Sosa. E me convide.
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Para ser feliz, nada como dançar Yarayarucha-cha na sala iluminada por velhas velas.
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De noite, acordo com o vento fazendo dançar os cataventos que pendurei na cozinha. Acho bonito.
Os gatos ficam loucos. O amigo diz: é fantasma. Quer coisa mais linda que fantasma que brinca com catavento?
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Piaf nasceu doente, foi abandonada pela mãe na casa da avó, que era cafetina e que por descuido quase a cegou.
Depois, foi resgatada pelo pai, um artista de circo que além de beber ainda cismou que ela deveria ser contorcionista.
Já cantora, viu o único homem que a tratou como uma rainha morrer com uma faca nas costas. Ne me quitte pas?
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Escrito por Cristiane Lisboa às 09h33
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