A questão da quase felicidade é coisa clara. Há som, cor, mas não fúria. Ou há fúria, som, não cor. Ou, tu sabe qual a outra opção deste mesmo exemplo, não me interrompa. Se te olhares no espelho nestes dias, verá um sorriso. Note que é pronunciadamente mais alto no lábio superior, canto esquerdo. Não se espante, é muy típico. Porque a felicidade absoluta, que dura sei lá, dois ou nove segundos do teu dia ou daquele momento tem sorriso insano, boca larga, dentes a mostra, os lábios superiores em arqueados como um boquete francês. Bem diferentes deste que vemos agora, não? Deste ponto exato, alguma coisa tem que acontecer. Ninguém fica parado no limbo, ou melhor dizendo, todo mundo fica parado no limbo, pois segundo a teoria de Lidia P. a linda, todo mundo significa a mesma coisa que ninguém, portanto, entre não ser ninguém e ser todo mundo é melhor ser tu mesmo, mesmo que tenhas que exibir esta quase felicidade tosquinha que me desculpe, não sou otimista nem poeta, muito menos uso sai balonê, vai afundar logo. Rezemos, pois.
Escrito por Cristiane Lisboa às 09h48
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Se o Ronnie Von não te salvar da mediocridade, ninguém mais fará,
meu bem.
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Definitivamente, anãs são muito feias quando cultivam barriga.
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Quando fico louca, acendo velas. E bebo cidra no gargalo.
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Papai tem certeza que vai morrer. Já começou a mandar todo mundo tomar no cú. Avisei: tem quem goste. Ele nem riu.
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Sou tão mocinha que as vezes me dá até uma vergonha.
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Estava frio. Mas não era por isso que debaixo da camisola a pele de Cândida estava arrepiada, a penugem dos braços em movimento, o bico dos seios rijos. Era lembrança. Depois do banho, escolheu a calcinha vermelha para dormir. Só. Não haveria entrelaçamentos de pés e nem aquele cheiro morno de pêssego amargo. Cândida rezou por sono. A campainha tocou. Ela sorriu largo antes de abrir. Pizza na outra porta, boa noite.
Cândida colocou mais um cobertor e dormiu. Hoje cedo, matou de novo.
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A melhor coisa da castração é criar bons sopranos.
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Com batom, escrevi em uma parede azul a frase “Pode acontecer” até acordar. Interpreta este sonho, del fuego?
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Mas, se eu digo venha?
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A mais amiga avisa o óbvio ululante: tu entende tudo
muito errado mesmo.
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Não vou falar mais. Até ouvir. Estás rindo?
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h56
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