Porque é 20 de setembro, Revolução Farropilha.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h09
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Agora pois, suplicai o favor de Deus. E Ele terá piedade de nós.
Mal. 1:9
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h12
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Cândida recebe ligações depois das quatro da manhã. Quem sabe que ela não dorme? Do outro lado, alguém com tantas certezas que dói um pouco ficar em silênico. Tão mais simples sorrir e avisar "pule a janela, perdi a chave da porta." As certezas de Cândida estão se esvaindo sem que quem realmente importa perceba. Ela lembra do que disse, acha bonito. E que ouviu? Isso. Mas tinha aquilo em seguida. Este mas. Na reforma da gramática a palavra "mas" deveria perder seu sentido e deixar de ser usada. A mais amiga avisa que se fosse verdade, já era, tanta palavra só faz o caminho parecer mais torto, concordam ambas. Em frente, o rio correndo, Cândida cansada de ser pedra. Quer seguir o rio, nadar junto, beber um pouo de água, se afogar, quem sabe? Telefone de novo. Cândida se promete recuperar a dignidade, beijar na boca, fazer samba e amor até mais tarde, ter muito sono de manhã e quem sabe, hora ou outra dizer de novo, sinceramente "te amo".
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h31
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É noite e Cândida está nua. Os sapatos vermelhos são adorno necessário, visto que Cândida dança bem devagar enquanto caminha. As janelas abertas fazem com que ela vista o roupão com desenhos de flores. Está especialmente branca por debaixo dele.
“Senta. Você sabe ser linda para abrir a porta. Acho melhor não. De novo? Sim, de novo. Vamos queimar este apartamento inteiro? Tecnicamente, não temos nada. Tecnicamente é uma palavra realmente feia. Partindo do princípio básico dos relacionamentos, não temos nada. Prefiro tecnicamente. Depois dos vinte e dois, ninguém fica. Concordo. Gosto deste roupão. Eu também. Com os sapatos ficam melhores. Ficam. Fotos? Nem a pau. Vou usar o batom vermelho. Borra. Só se eu beijar alguém. Você vai. Está quente. As estrelas estão ficando menores, sabia? Isso é impossível. Nada é impossível. Odeio estas frases prontas que sempre acabam em questões religiosas ou de aceitação passiva do destino. O que tiver de ser será. Exatamente isto. Também odeio este velho que fica ai na frente falando com os passarinhos nas gaiolas. O bicho deve mandar ele tomar no cú o tempo todo. Tomara. Gaiolas me deprimem. Porque você tem asas. Bonito. Bonita é você. Tu fica assistindo novela das seis? Fico. Assisto qualquer coisa. Quando estou em casa sinto saudade de ver tv. A tv é um apoio psicológio e tanto. Prefiro cds do Chico. A gente leva todos. Tecnicamente, não temos nada. Mais um motivo. Gosto quando você sorri. Que estranho isso, falar você. Nem percebo. Vamos esquecer o que vem mais em frente e falar de agora. Agora já é tarde, quase amanhã. Melhor. Vamos fazer um jogo. Por dez horas nenhuma resposta poderá ter a palavra não. Não. Perdeu. Me beija. Te beijo. Te amo. Melhor parar de dizer isso. Me beija. Te amo. Te beijo. Pare de dizer isto. Acabou o cd, dance comigo. Sem música. Sem música. Me deixa chegar perto. Eu deixo, o suficiente. Deixa mais. Porque? Porque te amo. Cale a boca, por favor. Me beija? Te beijo. Vamos? Sim.”
Com a língua contornou os lábios de Cândida até que ela gemesse baixo, imperceptível e tirasse sozinha o sutiã. Ele lambeu os seios com amorosidade, disse palavras grandes como “mulher, futuro, amor” e a levou no colo para onde as cores são borradas.
Agora é dia e Cândida está nua. E acha sim infinitamente mais bonito do que não.
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h58
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