O que é a verdade?
Sylvia sou eu. A assassina que contempla a cabeça do amante na geladeira também. O homem que sabe que não vai mais escutar sou eu. As vezes. A Antônia, quando descobre o amor também sou eu. Mas não muito. Desdobro ficção até ela ser verdade. E a vida também. Minha boca cereja mente menos que os dedos. Mas sabe rir. Se tu me diz "amo-te", mudo de assunto. Aceito as flores porque amarelas são as minhas favoritas. E meu altar jamais fica sem rosas. Ouço que não morri. Daqui a pouco acredito. Se quiser esperar, fique por perto. Por hora, apenas invento mais alguém. E aceito outra taça, darling.
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h52
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“ , então tu abraça o meu sorriso branco que quando encontra tua pele com gosto de mel fixa e existe mesmo quando os lábios aprendem novos movimentos e mudam ora por mordidas pequeninas ora por querer mais um pouco já que depois de um tempo a couraça cai e fica impossível manter os tais dez centímetros de distância exigidos pela boa educação e coexistência na parte de baixo do equador que como cantou aquele tal faz tremer a carne não por desejo que isso é óbvio mas porque o sangue tem graus de ebulição desconhecidos por quem não está naquele momento amando algo nem que seja a si mesmo ou o quadro da parede do hotel no centro cujas janelas dão para um lugar conhecido pero no mucho visto que lembranças são embaralhos de imaginação e vivência o que provoca mais choro do que riso e outra vez mais mas agora no outro lábio aquele que quando diz é sim e que te recebe com gozo meu bem desde que tenhas percorrido as curvas todas com a língua e os cílios e aquele pouco de barba por fazer que faz a ponta do pé dizer ui que graça e abraça de novo pois o pulso anda fraco as batidas confusas a tatuagem nova te fala mas não ouves não queres o bom é acreditar no que está ali e o que está ali é isso dois cama barulhos de encanamentos abafados por uma trilha de i-pod Deus i-pod é tão moderno para uma colcha de matelassê eles não combinam assim como o vestido não combinava com unhas vermelhas cigana chama o esmalte rimos nós riem os ciganos riem as estrelas riem os garçons que trabalham depois das quatro da manhã avisando a cozinha não funciona antes isso comer é no dia seguinte com morangos pergunto com morangos ouço responder e óleo de massagem é comprado sem culpa na farmácia de plantão para que a colcha fique manchada para sempre o abraço escorregadio com atenção especial para a mão machucada doeu muito isso uma merda mas e dai o que aconteceu ontem antes há mais de duas horas atrás há quanto tempo estamos aqui quem precisa saber tem mensagem pra ti e tulipas artificiais que cumprem bem seu papel de provocar suspiros meus contornos macios tem sardas nas ancas veja bem conte quantas são e não me diga podemos começar tudo de novo hoje mesmo amanhã não sei não sabes não sabemos agora é ler este livro em voz alta te mostrar que prefiro mãos alargando as minhas costas que aliás recebem bem gotas de escorrem do gelo e ui quente é vela quase bom talvez bom bem bom muito bem é bem deste jeito não entendo porque razão ou circunstância tu me quer não te quero repeti pisquei o olho não me contive amanhece em São Paulo respiro fundo e digo não tenho mais coragem de começar coisas deste tipo e tu responde que com medo é sempre melhor e ...
Escrito por Cristiane Lisboa às 18h25
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