Se eu realmente soubesse como agir, não perguntaria ao tarô.
Nem falaria com estrelas bêbadas que esquecem de apagar mesmo depois que amanhece.
A porta fechada que não ouso abrir guarda fantasmas e um pedido seguido de um sim que doem mais agora do que antes.
Mau feng-shui avisa mamãe.
Teu coração é teu guia, mas tua cabeça é teu mestre, lembra papai.
Quente e frio. O tempo todo.
Dá pra se decidir?
Noite, febre no ponto do delírio, no quarto, avô, uma moça grávida, cinco patos,
água e Marina Lima cantando “acho que vou resistir”.
Como conseguem ser cafonas os delírios psíquicos.
Preciso de um lugar mais claro, com uma mesa quase larga e os livros a mão. E tu?
Escrevo cartas que jamais vou te enviar.
Achei linda a dança, aliás.
Sylvia fala, rouca, doida.
A mais amiga avisa:
Quando tu cansar, ele não mais te recupera.
Achamos triste, mas a coca diet chega e salva duas ou sete lágrimas de morte súbita.
Penso “xuxu, vou me mandar.” E pela primeira vez, acredito.
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h54
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