Com a nova caneta verde escrevo parágrafos inteiros.
Falo pouco. Escuto menos ainda.
Desde cedo cantarolo uma daquelas novas músicas.
Achei bonito, o teu gesto.
Mesmo neste frio interno e externo, meu estômago está menor e menos sensível.
Agora, só vomito se estritamente necessário.
Escorrego muitas vezes, não caio, machuco os joelhos e cotovelos.
Mudei os sapatos, a lingerie, quase eliminei os cachos.
Acho graça.
Mas não muita.
Achei por bem não insistir.
Quando mudar de idéia, aviso.
Os amigos, os mesmos, temem.
Rio dizendo: jo tambien.
Tem coisa que não existe.
Não consigo evitar o suspiro.
Sonho com Nero.
Acordo e desisto de botar fogo no mundo.
Escolho os esmalte pelo nome e não pela cor.
Nelson repete que mulheres gostam de apanhar.
Quase concordo.
Recuso a tua proposta, meu bem.
Porque se tem uma coisa que aprendi nas longas e frias noites destes pagos é que a burrice não é uma das minhas qualidades.
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h47
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