Cristiane Lisbôa


O texto das cartas. Quem quiser com charme, papel especial e todo o mais, vai na Mona.

Escrito por Cristiane Lisboa às 18h31
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Você é uma pessoa corajosa. Tem coragem de despedaçar os outros e ainda seguir existindo, como se a vida fosse permitida a gente desse porte. Saiba por mim, não é. Fiz daquele jeito que combinamos, saí com as pessoas que me interessavam, permiti que mãos estranhas pousassem sobre meu ventre, recebi no cú línguas de texturas desconhecidas e até beijei. Beijei bocas com gosto de abismo, de absinto, de destilados baratos, de água de rosas, de ópio e até com gosto de nada. E agora, pergunto: e dai? Foi quase divertido, admito. Mas, depois, o que restava era apenas, eu Mona, a sua Mona. Rezei – sim, rezei – para um deus, um superior, um bruxo, alguém que pudesse me explicar como pode um amor ser mesquinho. E fraco. Nosso amor é fraco, Henry. Não vai suportar mais nada depois disso, acredite, admita. Daqui, iremos sucumbir a frustrações óbvias e vais me deixar pela literatura, pelos contos de uma página a um dólar a porra da página, ou por uma mulher que finge escrever. Vais esquecer que somos nós dois em uma guerra, agora e para sempre, amém. Ou não. O que você fará, Henry, amor meu? Vai dizer que me ama? Vai me querer e somente isso, nada mais? Sejamos francos, os cafés desta cidade tola e iluminada vão te dar de presente uma nova musa. Gargalho ao pensar nisso. Nenhuma delas vai saber que dentro de você existe um cerne de afeto só alcançado a quem te abre o peito. Nenhuma delas vai ter meu cheiro, Henry, ah, meu cheiro que faz você gozar pleno ao senti-lo de longe, na imaginação. Nenhuma delas vai conseguir ser a sua mulher inventada a ponto de ser real. Eu te amo, seu desgraçado. E, enquanto você não entende que isso também pode acabar, vou insistir.

Mona



Escrito por Cristiane Lisboa às 18h30
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Paris, uma quarta-feira qualquer de inverno.

Mona,

Deste quarto no alto, posso observar os telhados da cidade luz. São todos mudos, qualidade que aprecio. Ostentam com dignidade as manchas provocadas pelo tempo, as pisadas tortas de amores fugidos e os restos de vinhos atirados ao ar para os deuses. Mal sabem as pessoas e os telhados que há muito os deuses estão mortos. Abri sua última carta. Cheirava a medo. Estranhei. Quem era você ao escolher o papel, escrever tudo aquilo e enviar sem ao menos se dar o trabalho de uma revisão final? Ciúme e insegurança não doenças permitidas a você, ou pensas que é só uma mulher? Mona, há muito falamos sobre a capacidade humana do gozo, castrada por uma mesquinharia chamada casamento, sociedade, a puta que nos pariu. Porque haveríamos nós dois de nos submetermos a isso? Diga-me, darling. Tente defender este seu ponto de vista tolo e verás que foi apenas uma fraqueza. E como amo as suas fraquezas. Amo porque fazem com que sejamos mais próximos, pois sou feito basicamente delas. E porque você as guarda na parte de trás do pescoço, ali onde a pele é imaculada de sol, vento e noites sem dormir. Ali onde o cheiro é sempre agridoce e os pêlos têm uma textura fina como fios de seda. Ali onde minha língua não repousa porque vai e volta, cansando apenas quando você implora por outra coisa. Isso, toque na parte de trás do seu pescoço com estes dedos longos com unhas delicadamente descascadas. Brinque que estou ai, Mona. Saiba que eu estou ai. Quando queres, meus olhos olham através dos teus. Mas só porque você permite. Por isso, não é preciso me expulsar ou escrever tolices em papel lilás. Muito menos dizer “sua Mona”. Você não é minha, nunca será. Mas eu sou seu. E para que eu morra, basta que você pare de acreditar que eu só existo.

Feliz, feliz dia dos namorados,


Henry




Escrito por Cristiane Lisboa às 18h29
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Cartas são suspiros de doçura e delicadeza neste mundo rápido e quase sempre chato. Por isso, as amo. Por isso, as escrevo compulsivamente. Desta vez, sob encomenda. Escrevi cartas de reconciliação entre Henry Miller e Mona, sua personagem mais real e imaginária. As cartas, mais presentinhos acompanham todas as roupas da loja Mona, na Galeria Ouro Fino, durante esta semana. E, se tu não gosta de roupas ou lá não tem vestimentas para o teu homem, vá mesmo assim: fiz uma seleção de livros agridocemente quentes. Porque brincar com fogo está virando a minha especialidade.



Escrito por Cristiane Lisboa às 11h10
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Beijos sem trégua e sete mil léguas sem descansar, danças ao entardecer, mentiras sinceras, falta de promessas, anel de canudinho, tim-tim, pele, troca de sonhos, tomara que chova, morreremos no mar, pétalas comestíveis e uma verdade imediata. Relaxa, tu tem tudo para me conquistar.

 



Escrito por Cristiane Lisboa às 10h59
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