" As duas mãos postas sobre o teclado, naquela atitude que guarda um pouco de oração silenciosa e muito de loucura mansa, ao querer desesperadamente dar forma através de palavras a algo que só existe, sem face nem nome, nessa região longínqua do cérebro onde a fantasia cruza com a memória e a intuição cega. Só e submisso, perdido no centro desse cruzamento confuso, no meio do terror de não ser mais capaz, sem nada nem ninguém que pudesse vir em seu socorro, além da própria coisa em si, e ela mesma traiçoeira, talvez assassina, escorregadia feito serpente, ainda e talvez para sempre informe, porque eu, o único capaz de apreendê-la, poderia deixá-la fugir, esse terror maior, de repente abri os olhos, esfreguei as palmas das mãos, coloquei uma folha na máquina e escrevi."
Caio Fernando Abreu, que todos os muitos encontra sempre a ternura na capacidade de enlouquecer e é moderno no sentido real, novo, em frente, sempre em Onde Andará Dulce Veiga? um dos meus favoritos.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h34
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Hoje, a partir das 21:30, na Livraria da Vida, São Paulo, Eliza Nazarian, a chique, lança seu segundo livro, um volume de poemas chamado “Feito Eu”. Quem for de bom tom, vai. Vamos?
Escrito por Cristiane Lisboa às 07h30
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