Cuscus
Tinha nada de juízo, um vestido novo de cintura marcada e saia quase rodada, dezessete anos e um encontro. Caprichou nos cachos, embora a moda já tivesse descoberto a chapinha. Usou requintes quase cruéis ao se perfumar, duas gotas grandes entre o seios, mais duas atrás das orelhas e na dobra das pernas uma lembrança cheirosa. Ninguém a havia ensinado, as mulheres, assim como os gatos sabem da própria sobrevivência por instinto. Estava usando os sapatos vermelhos. Sempre sorte, disse a prima ao entregar o embrulho, Borboletas voavam muy doidas no seu estômago em um balé até então desconhecido e bom. Não usava batom. Pensou "falha". Depois percebeu "beijos". O táxi rodava em câmera lenta, os minutos passavam as pressas, o coração dançava de tanto bater. Chegou e ele abriu a porta. Sorriram. Era um restaurante mais simples do que ela havia imaginado em todos os devaneios românticos após o primeiro telefonema. Mesas de madeira, toalhas brancas com miúdas flores lilas bordadas nas bordas. Ele sabia o que pedir, ela fez dengo "peça por mim" Veio o enformado até a mesa, susto. Um laranja forte misturava-se a pedacinhos coloridos. Um pedaço, feito bolo, já estava em seu prato. "A partir de hoje, este colorido vai sempre lembrar seu sorriso" disse o moço. E repete até hoje nos familiares almoços de domingo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h40
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Trilha sonora
Meu Erro
Eu quis dizer, você não quis escutar Agora não peça, não me faça promessas Eu não quero dizer, nem quero acreditar Que vai ser diferente, que tudo mudou Você diz não saber, o que houve de errado E o meu erro foi crer, que estar ao seu lado... bastaria Ah! Meu Deus era tudo que eu queria Eu dizia o seu nome, não me abandone
Mesmo querendo, eu não vou me enganar Eu conheço seus passos, eu vejo os seus erros Não há nada de novo, ainda somos iguais Então não me chame, não olhe pra trás Você diz não saber, o que houve de errado E o meu erro foi crer, que estar ao seu lado... bastaria Ah! Meu Deus era tudo que eu queria Eu dizia o seu nome, não me abandone jamais
* é do Paralamas, mas prefiro com a Zizzi Possi. Canto e recanto, em voz alta e baixa. Onde nos perdemos?
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|