Tenho imensa facilidade para vícios. Não sei se por herança genética - meu avô perdeu tudo e mais um pouco em cassinos na argentina e no clube dos ricos e famosos de Uruguaiana - ou sem vergonhice mesmo. Nessa de viciar já passei épocas estranhas na vida, fazendo a mesma coisa dezenas e dezenas de vezes até conseguir parar. E imediatamente substituir por outra coisa. Pensando sobre percebei que já bebi um tanto. Já tive que comer no mínimo 18 alpinos por dia. Já perdi o dinheiro da feira apostando que saberia em qual pote estava a bolinha. Já fiquei quatro dias sem dormir. Já escrevi trezentas histórias com menos de uma parágrafo. Já namorei apenas moços de olhos verde-sujo. Já comi muita cutícula. Já me recusei a escutar qualquer outra coisa que não Chico Buarque. Já assisti cem vezes o mesmo filme. Já fiquei parada na esquina somando as placas dos carros que passam. Já comi apenas sorvetes de flocos. Já usei brinco todo dia. Já decidi não sair sem ao menos uma pulseira. Já tive cílios postiços. Já gostei de jaca e, por hora, bebo apenas coca diet. O tempo todo. Como os outros, vai passar. E tenho medo, muito medo de imaginar qual pode ser o próximo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h06
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Estou viva. Ao menos relativamente. "Como invejo quem trabalha e tem tempo para ser feliz, conta Carlos Drummond em carta a Mario de Andrade. Ao menos passei o dia dentro do Clube de Regatas Flamengo, no Rio. E senti o cheiro de mar, do táxi, indo embora. Penso em filmes. Sinto saudade de falar ao telefone no meio da tarde com o Santi. Decidi pelo passaporte, o suco de mamão com água, sem açúcar e uma melancolia que pensando bem, pode ficar charmosa. E tu, o que tem feito desta vida?
Escrito por Cristiane Lisboa às 21h34
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