O começo de janeiro mora dentro de uma chaleira. Há água dentro dela e fogo embaixo. Antes que a temperatura chegue aos 100 graus é preciso fazer alguma coisa, o que quer que seja desde que já. Destrancar baús, espantar lontras, traças e dragões de textos antigos, escritos guardados, idéias-feto por favor apareçam. Com tudo fervendo o que não presta morre, desintegra, vai para outro lado. Escolha sim, não, cinza, verde e aquele vermelho sangue de boi para o batom. Beijos com saliva, Cibele no i-pod, calcinhas todas novas, piscina coberta e fotografias. Binho, que é o amor, faz trinta hoje, sigo nos vinte e cinco e o ano é sete e é nove, que se tu não sabe, é o número das labaredas. Se isso não for cabalístico, bom, doce e estranho, queridinha, nada mais é. Sabe como?
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h12
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Bem no Fundo (Paulo Leminski)
No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto
a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela ? silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso, maldito seja que olhas pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais
mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h03
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