A manivela que gira o mundo vai apenas para frente. Bobagem tentar voltar, machuca as mãos e as bolhas saram apenas quando os ouriços estão secos nas pedras. E agora já é dezembro e já não tenho mais nenhuma - nem aquela - certeza e foi feliz, foi triste, dois mil e seis foi, é, está sendo um ano supersônico que começou no Rio e espero que termine lá, com o sol carioca fazendo cócegas no meu nariz e amaciando a alma inteira. Porque aqui dentro, kiri-kiri, tá de dar medo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h12
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Tim, tim
Antes do mais te aviso: já pulei muito sem olhar o que tinha embaixo e, as vezes, não havia nada lá. Por isso, hoje em dia pulo mesmo assim, mas dou uma olhadinha de leve. Bem sei como dói quebrar el core tantas e tantas vezes. Pois bem, por isso é que esperei assinar o contrato em três vias para dizer que sou uma das chiques ganhadoras do Pac, a bolsa de incentivo a criação literária que vai fazer possível o lançamento do meu primeiro romance "Sylvia não sabe dançar" pela Ateliê Editorial. A história foi inspirada no assassinato de Roberto Rodrigues, ilustrador e irmão velho de Nélson, é, o Rodrigues. E por hora não falo mais que é segredo. Confesso que não imaginei que iria ganhar e só entrei no edital porque Andrea del Fuego, la mujer, me obrigou. Santa moça, pensem vocês, por favor. Convencida, trabalhei com afinco na escrita do projeto e só tremi um pouco quando tive que obrigatoriamente pedir uma espécie de atestado de sanidade para pessoas renomadas e respeitadas e de suma importância no meio cultural (sic). Elas deveriam atestar que eu seria capaz de escrever uma história com coerência, graça e, porque não, talento. Pedi para Assis Brasil, o lorde, Santiago Nazarian, o talentoso, Paulo Scott, o cara e Fabrício Carpinejar, que mora na lua. Todos escritores por quem tenho respeito, admiração e uma ternura que é quase amor. Aproveito aqui para agradecê-los por terem pulado no abismo por mim. Sem olhar. No mais, estou muitíssimo bem acompanhada nesta Pac, visto que as outras ganhadoras são: Indigo e Maria José Silveira, na categoria infanto-juvenil, Andrea del fuego, em contos, Ana Rusche, no romance e Elisa Nazarian, na poesia. Praticamente uma seleção brasileira. E agora, caro leitor, vou-me ali cair na vertigem que é a escrita de um romance. Até.
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h07
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