Tempo instável
"O mundo é dos vivos / O mundo é dos bancos / e os bancos dos mendigos / O mundo é de loucos / que mundos não tem dono / e só somos vencidos pelo sono / O mundo é do novo/ e o novo dos antigos / o mundo é quem sobrar no fim da noite/ dos amigos" Nei Lisbôa
Tu não conhece? Tudo bem, como diz o Mário Bortolloto, não é culpa tua. :) De qualquer jeito, fuça na internet, compra um cd, baixa umas músicas e, se estiver em São Paulo dia 19, agora, vai no Sesc (não sei qual, beibe. entra no site) e canta comigo. Depois a gente dá uma choradinha. Nada que mate, garanto.
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h56
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Escrevo compulsivamente
Pliê.
No inverno, o sol do Rio de Janeiro é morno. Sylvia gosta assim, a cidade ganha uma cor mais limpa e um cheiro enjoado de manga aberta. Nestes dias, ela toma água da torneira, esquece de chupar gelo e dorme sem sonho algum até a outra manhã de mesmo sol. Mas neste julho, as noites tem sido compridas e sem sono. Ela sabe de onde vem e onde está o medo e a raiva mas isso adianta pouco. Racionalizar o que se sente não significa que vai passar mais rápido. É apenas uma maneira polida de utilizar o lado direito do cérebro para não enlouquecer a cada contragosto. Na madrugada de hoje, ela apagou todos os desenhos da porta do quarto depois de fazer um par de sapatilhas virados do avesso, como se estivessem sendo usados por uma bailairina de pernas tortas. Depois, como há muito não fazia, dormiu e acordou. Como todas as outras manhãs mesmo que não tivesse dormido, vestiu-se no escuro, fez a toalete simples, apenas com um pouco rímel no canto de cada olho e mijou devagar no bule de chá do pai. Usou a colher de prata para misturar e com o polegar matou com gosto as formigas vermelhas que faziam caminho em volta da xícara. “Mijo deve ser coisa doce”, disse em voz alta a mesma frase de todos os outros dias. Depois disso, deixou tudo em cima da mesa da cozinha e bateu a porta com a chave do lado de dentro. Quando entrou no ônibus percebeu que estava usando o vestido azul marinho, o mesmo da foto publicada na capa do jornal ao lado daquelas frases deconexas. Achou graça na coincidência e riu bem alto. Logo ela, de feitio tão encolhido. Naquela manhã, não fez o coque olhando-se no espelho do motorista e, antes de ir para a escola, matou com três tiros Roberto Ferreira, filho mais velho de Nélson Ferreira, proprietário do jornal “ O Crítico”.
Depois? Depois é história.
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h47
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