Os chatos se preocupam com a diversão alheia
Em uma entrevistinha dessas bem comuns o jornalista pouco lido pergunta: não achas que imprimir textos em peças de roupas diminui tua literatura? Eu: Não. Ele: Como não? Eu: porque achas isso? Ele: silêncio. O papo seguiu com outra pergunta e me frustou profundamente. Teria sido linda a discussão. Porque nos últimos tempos tem sido isso, textos que viram roupas, que viram bolsas, que viram receitas, que viram peça. E a literatura, onde anda? Está aí, impondo-se. Cansa minha beleza gente que ainda acredita que escritor respeitável não faz nada além de publicar livros e esperar prêmios e resenhas e tapinhas nas costas de puxas-saco eventuais. Escrever é olhar para os lados, oras. É colocar o bloco na rua seja do jeito que for. Claro que o livro é sempre o objetivo maior, mas entre um e outro que mal há em um mise-en-scine? Relax, darling. É quase verão.
"Quebro a cara toda hora. Mas só me arrependo do que deixei de fazer por preconceito, problema e neurose." Leila Diniz
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h36
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Te vas? No.
O título dest post está na capa do livro "The Diary of Frida Kahlo" um mar revoltoso onde mergulho e navego há dias e noites. Vou e volto, ele está em todas as peças da casa, sem respeito algum pelo que sinto. As páginas - em um papel fotográfico escandalosamente bom - reproduzem o diário original. Fotos do diário dela. Pinturas. Declarações de amor a Diego. Palavras quase sem nexo. Sonhos. Medos. Desenhos. Cartas. Cores. Dor. Perguntas. A sua clarabóia escancarada a luz do sol. Enquanto folheio sinto vertigens. E como morangos graúdos. Não sei se Frida aprovaria que remexessem assim em suas entranhas ,mas o fascínio me faz ignorar as possíveis pragas centenárias. Agora entendo quem viola túmulos atrás do que foi. O que não existe mais sempre deixa rastros. E é sob estes rastros que tentamos derramar o que somos.
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h12
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