E me convidaram para ficar na vitrine de uma loja, autografando livros. Não se espante, o mundo é mesmo bizzarro. Imaginei alguém passando e através do vidro eu poderia escutar esta pessoa muito arrumada dizer: olha ali, uma escritora. Poderia ser um coala, poderia ser um panda, mas é só uma escritora. Na vitrine? Sentada. Com os dois sapatos da mesma cor e uma conta de telefone vencida na bolsa. Que se exploda. Vou ficar em casa bebendo vinho e fazendo as unhas. Que eu ganho muito mais.
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h41
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Comida de Alma *
Pamonhas
A palavra milho jamais foi um xingamento. Se alguém passar por você e gritar: milho! o máximo que se pode esperar é que em seguida venha “cozido! ou assado!” Ninguém volta pra casa triste ou de cabeça baixa porque ao passar na porta da escola alguém disse milho e riu. Milho não é uma palavra ruim. Nem feia. É meio amarela, mas isso não ofende ninguém. Agora, pamonha, pensa bem. Pamonha é outra coisa. Pamonha pode destruir o dia, acabar com o humor e causar traumas. Conheço um menino, mais ou menos da minha idade assim, uns oito anos que chamou o vô de Pamonha. Dizem que foi apresentado a uma tal vara de marmelo. Marmelo também não me parece bom embora rima com caramelo. Mas onde mesmo que eu estava? Sim, no caso do milho. Contei essa minha teoria para a vó enquanto o cheiro morno das espigas dançava pela cozinha. Ela disse algo como “faz-me rir” e eu nem sabia como fazer mas obedeci e tentei fazer cosquinha. A vó é meio magra, sabe, acho que doeu mas ela riu. Quando a água quente apagou o fogo mais de uma vez ela desistiu. Tirou as espigas e colocou no prato de barro, para refrescar. Não deu nem tempo de seguir com a teoria e ela me botou no ralador pequeno. Ela no grande. Ralamos até os grãozinhos virarem uma pasta amarelo ovo. O cheiro era doce como acordar tarde. Fiquei sentada na varanda coçando a barriga e só vi quando a vó voltou com um embrulho de onde saiam umas fumacinhas. Pamonha. Abri. Pode me xingar o resto das férias, vó. Ela riu. E nem doeu.
* coluna na revista Estilo Natural. Ed. Símbolo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h34
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Pode contar.
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h34
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São duas horas, da madrugada, de um dia assim.
E estou me sentindo cém dólares.*
Olha: http://www.santiagonazarian.blogspot.com/
E não reclama, não sei colocar link.
* Graça para quem leu Extremamente Alto, Incrivelmente perto de Jonathan Safran Foer (Rocco)
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h25
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O lançamento abalou Paris em chamas. Choveu, fez frio e, mesmo assim, o povo tirou o modelão do armário e compareceu. Vendeu bem, autografei vários livros, ganhei roupas, conheci pessoas, não influenciei ninguém e provei drinks deliciosos. O melhor: alta madrugada, eu e os amigos do peito brindando no mcdonalds. Lançamentos são sempre melhores quando acabam.
Mira: http://chic.ig.com.br/materias/392501-393000/392690/392690_1.html
Aliás, tenho uma cota de livros. Tô pensando em colocar umas fotinhas aqui e vender. Será que alguém quer?
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h54
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