E, ontem, harpa com um certo funk e beijo na boca e frio, gente, que frio e uma roupa incrível e Whisky decente com chá gelado. É bom, acredite. Mas senti falta do glamour paraguaio da minha bebida de velhos tempos. Em dias de sorte, quando o líquido castanho tocava no copo os gelos começavam a tocar "India" com a Perla.
No mais, chove o mundo e isso é bom. O trabalho dignifica o homem e cansa sobremaneira. Aliás, quer ver uma das coisas muitas que faço? Editora FinaFlor
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h57
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Trilha
Angela Roro rindo enquanto canta "meu mal é a birita". A vida está muito forte hoje. Outra taça, por favor.
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h05
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Pode arrancar. Estas páginas não servem para mais nada além de fazer com que o Tejo escorra das minhas mãos. Poeira fina, afiada. Sou deste tamanho desde que me lembro mas quando chegaste, diminui. Culpa minha, é verdade. Embora isso não faça com que eu te odeie menos ou entenda. Preferia aquele mato denso, com folhas carnudas e uma pedra que dava para o céu. Agora, não tem mais árvores, nem pedras e acho mesmo que nem o céu. Olho para cima e é rosa. Rosa é uma cor péssima para sabe ficar nua. Nem essa tolice sabes. Como posso amar quem não consegue ser leve? Mesmo que falso. Te pedi uma vez: me mente. Te pedi outra: mente, por favor. Eu gosto, eu quero, é só o que eu suporto. A verdade me desfaz em cinzas fétidas. Deste jeito, melhor não. Mas para caber em ti, fiquei pequena e não coube a coragem. Agora, só quebrando. Vai doer, não vai?
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h31
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Cabe bem pouco dentro do que acredita que és. Não há beijos, meu amor. Só estocadas secas de lábios outrora macios. Seria preciso voltar a menstruar na ponta dos dedos para me fazer entender e sabes, hoje em dia me poupo de certos sacrifícios corporais. Ainda aprecio aquele tom quase roxo e engarrafamentos de guarda-chuvas, mas perdi o anel verde. Lembra dele? O peixe cometeu suicídio. Disseram que é normal. Normal é casar com desconhecidos. E amar apenas a idéia de si próprio, no outro.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h07
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Livro no forno.
Papel Manteiga para embrulhar segredos. Cartas Culinárias.
Este é título do meu novo livro que está no forno e sai dia 24 de outubro. A história é contada através de cartas escritas por uma moça chamada Antonia e enviadas para sua bisavó, Ana. Aliás, só me dei conta de que os personagens tem o nome das avós da minha família ontem. Pode acreditar. Mas falemos de doidices de escritores depois. Cada texto é acompanhado de uma receita. Não fique preocupado com meus parcos dotes culinários. As delícias são assinadas pela linda Tatiana Damberg, que edita o blog Mixirica e é craque nas panelas e nos sorrisos.
Mas chega de papo. Leia a primeira carta. E me diz o que tu achou.
Bisa Ana,
Estou em alguma parte do mapa. Não posso dizer qual, pelos motivos que nós duas sabemos. Espero eu e imagino, espera a senhora, que estejamos fazendo a coisa certa. Chegamos de carro na casa onde também funciona o restaurante. É inteira de pedras com janelas enormes, que em alguns casos vão até o teto. Temos, cada um, um quarto minúsculo, o único cômodo espaçoso e arejado da casa é a cozinha, o que era de se esperar. Tudo me assusta. Sobretudo, ter que confiar apenas na minha memória degustativa. Senhorita Virgínia revisou minha mala e tirou de lá o gravador de fitas pequenas, os blocos, os lápis e meu relógio. Disse que não devolveria jamais, o que me causou péssima primeira impressão. Gente que não mente nem quando precisa, pode causar profundos danos em corações sensíveis. Conversamos pouco, ela e eu. Escutei as regras da casa que incluem não falar enquanto ela cozinha, e comer terra ao errar mais de duas vezes as mesmas instruções. Só para a senhora entender: instruções para ela são o que chamamos de receitas. Senhorita Virgínia detesta as receitas. Nem diz a palavra. Este lugar cheira a anis, agora eu também. Provei figos e gostei muito. Quando contei que era a primeira vez que os provava tive que dessossar uma perna de cabrito do lado de fora da casa, onde neva. Se isso for um castigo divino por estar desobedecendo mamãe, imagino que será cumprido nos mínimos detalhes.
Já com saudade, Antônia
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h11
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Camisa branca, saia lápis, salto decente. Disfarçada. Ate que a descubram.
Escrito por Cristiane Lisboa às 09h18
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Sábado é dia de sol morno, janela aberta e pequenas palpitações de lembranças. Este, foi de Festival de curtas no Cinsesc de Sâo Paulo. A primeira sessão teve 6 filmes absolutamente lindos, engraçados, debochados, surreais. Com direito a presença de Pereio (ele mesmo) sentado do lado da minha cadeira. Tentei puxar papo mas ele disse algo como "peitão". Não haveria diálogo, convenhamos. Depois, o papo estava tão profundo na fila, que nem vi para qual sessão era o ingresso. Filme experimental. Quando descobri, não dava mais para sair correndo. Sei bem que esses filmes não são para ver, mas para sentir e blablabla. Não me venha com intelectualices que não te perguntei nada. Aqueles filmes eram um saco. Coisas pulando. Coisas piscando. Quase tive convulsão. Tu sabia que se uma pessoa em estado alterado olhar para uma coisa que pisca sem parar pode cair se retorcendo toda e babando? Pois é. Mas a sessão valeu pela companhia. E porque rimos quase o tempo todo. E porque o cara que foi nos xingar caiu um tombo incrível. E porque tenho vários contos e quase contos e quase coisas novas. E porque fui convidada para uma espécie de guerrilha da arte urbana. Sabe o que é isso? Nem eu. Mas é preciso fazer algumas coisa nas tardes de sábado.
Escrito por Cristiane Lisboa às 09h16
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