Domingo, primavera dos livros, bati o dedo do pé com tanta força que ele ficou torto para o lado esquerdo. Para sempre, provável. Enquanto ele latejava segui flanando entre os estandes. Não comprei nada, tudo uma fortuna, mas não me orgulho disso. Eu gosto de gastar dinheiro. Em livros, sapatos e chocolates importados. Exatamente nesta ordem. Mas enfim, conto isso pra dizer que a leitura dos finos Tadeu Sarmento e Andrea del Fuego foi delícia. Com direito ao jabutiável (?) Marcelino Freire convocando as editoras a agarrarem Tadeu que o guri é foda. Alguém se habilitou? Espero, com sinceridade. Porque o Tadeu é um dos caras mais interessantes que li/conheci/publiquei nos últimos tempos. Com uma prosódia própria que não lembra ninguém e por isso é tesuda, viva, nova. Lembro que, quando recebi os originais que talvez virassem um livro da Finaflor, fiquei assustada. Primeiro, como escritora. Descobrir um cabra que em riscos pretos no papel branco mexe com as tuas entranhas é uma das sensações mais doidas que um escritor pode ter. Pergunte a qualquer um. Depois, como editora. Era de um orgulho desconcertante lançar aquele livro. Sabe o que é isso? Ter a chance de mostrar para outras pessoas escritos geniais de gente que tu admira? Não sei se o editor da Companhia das Letras lembra como é, mas eu te conto: é de chorar, meu velho. E percebi esse devaneio em cada um dos livros da Fina. Uma felicidade imensa em mostrar talento como da Del Fuego, la mujer, que é uma das mais interessantes escritoras que conheço/conheci. Com a vantagem de que sei o telefone da casa dela. Ou o Ademir Correia e a Lidia P. que escrevem coisas como "Por mais que você lute, sempre existirão séculos em que as palavras eram mais bonitas" Ou ainda o Xico Sá, que tirou a faca da bota e deu nas minhas mãos - uma guria de 23 anos, cabaço no mundo editorial - um romance de vertigem. Coisa linda. Privilégio. Assim como conseguir ser editora e escritora sem que uma assassine a outra com colher de sopa. Ai,ai.
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h22
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Senta. Olha para os lados. Este momento, agora. Isso é a tua vida. Satisfeito?
Escrito por Cristiane Lisboa às 23h16
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