O problema todo é que tenho tempo para pensar em bobagens. E fazer as unhas. Quando faço as duas coisas ao mesmo tempo fica realmente difícil seguir vivendo. Agora pouco fui aqui na Josi, minha manicure de confiança. Só ela não me maltrata quando tiro da bolsa meus próprios apetrechos e esmaltes. (Tenho nojo de intimidades carnais - no sentido cutículas e afins - com estranhas.) Pois bem, sentada com as unhas de molho, comecei a olhar revistas. Foto, foto, foto e frase "Apesar de ser politizada e cabeça, fulana de tal faz questão de cultivar seu lado feminino." Tsc, tsc. O velho mito de que mulher pensante, sagaz, coerente, talentosa e levemente sã da cabeça tem uma incapacidade inata que a impede de assar um pão, tricotar, manter os dois peitos e a bunda em pé ou sei lá mais o que entende-se por cultivar lado feminino. Quase me afetou aquela frase. Quase, quase pensei sobre o assunto para então fazer um lindo texto neste blog, me colocando como uma moça feminista, moderna, que lê cosmopolitan e tal e coisa. Mas ai tive que decidir entre vermelho-sangue ou areia de noronha para as mãos. Aliás, qual desses tu prefere, Xico Sá?
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h55
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Perguntas frequentes respondidas (quase) todos os dias.
Este blog é novo. Fato. E já comecei a receber e-mails perguntando as coisas de sempre. Como é ser escritora no Rio Grande do Sul? Tu odeia a Clarah? Quantas tatuagens você tem? Quem são seus escritores favoritos? Já pensou em escrever um romance histórico? Você tem alguma banda? Ok, babys. Vamos ao caso. E por partes.
Antes de mais nada deixo claro que não sou moça de Porto Alegre. Sou de Uruguaiana (já não disse isso?) uma cidade que faz fronteira com a Argentina e tem o e sempre: igreja, praça, cinema, sorveteria, avô, avó. Essas coisas. Buenas, lá vai.
1. Não sei como é ser escritora no Rio Grande do Sul. Quando publiquei o primeiro livro eu já morava em São Paulo e mesmo assim, acho de quinta ficar com essa bobagem de oh, escritores gaúchos. Na vida real, ter RS na carteira de identidade não é sinônimo de poder e riqueza. Se bem que, o porte europeu ajuda...(hahahaha)
2. Nâo, não odeio a Clarah. Também não, não somos amigas. Mas peloamordeDeus ninguém é obrigado a ser amigo porque tem alguma atividade em comum. Gosto dos livros dela, aliás. E pelo que sei é uma boa moça. Que mais tu quer que eu diga?
3. Tenho 3 tatuagens mínimas. Fiz só para assustar a minha mãe e quase morri de dor.
4. Meus escritores favoritos variam. Mas acho o Fante bem chato, caso a entrelinha seja essa.
5. Um romance histórico? Como assim? Sobre Guerra dos Farropilhas e tal? Vai ler a Casa das Sete Mulheres, oras. A Letícia Wierzchowski é muito melhor que a tv. Acredite.
6. Sou desafinada e tropeço em fios. Impossível ter uma banda.
7. Gatos, tenho dois. Sem nomes, por favor.
8. Sim, eu bebo chimarrão. Gosto de deixar a língua verde. Acho o Jupiter Maçã engraçado. E o Wander Wildner do caralho.
Tá?
Voltemos agora a nossa programação habitual.
Escrito por Cristiane Lisboa às 21h56
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