Ontem um amigo de outros carnavais disse que não lê meu blog porque não sabe o que é verdade e o que é mentira. Grande elogio, rapaz. E ainda me fez lembrar de Quintana, o Mario que sempre amei: a verdade é uma mentira que esqueceu de acontecer. ;)
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h40
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Não nasci autista por um triz. Isso diz meu pai. Mas ele toma banho de sol usando apenas e somente sunga vermelha na sacada do meu prédio no centro da cidade e as vezes me chama na sala pra dizer que não lembra mais quem ele é. Cá entre nós, esse tipo de coisa tira a credibilidade de uma pessoa, né? Pois mesmo assim as vezes tenho umas coisas meio estranhas. Como escutar muitas e muitas vezes a mesma música. Tipo o dia todo. Hoje foi, é, será essa. E meu coração bate rápido e forte e dói. "Não quero ser triste. Como o poeta que envelhece lendo Maiakóvski na loja de conveniência. Não quero ser alegre como o cão que sai a pássear com o seu dono alegre sob o sol de domingo. Nem quer ser estanque como quem constrói estradas e não anda. Quero no escuro como um cego tatear estrelas distraídas. Amoras silvestres no passeio público. Amores secretos debaixo dos guarda-chuvas."
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h11
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Café com leite e pão na chapa. Na padaria, que é para obrigar o corpo a caminhar um pouco (só a Glória Perez escreve de pé, meu bem). As vezes faço isso lá pelas onze horas, meio dia. Nada de novo no front, deves estar pensando. A questão é que as pessoas colocam reparo. Hoje, a mulher do caixa que tem um buço que facilmente competiria com meu avô, cujo apelido era João Bigode perguntou o que eu fazia da vida. Assim, da vida. - Eu escrevo. - O que? - .... - Sou escritora. - Sim. Mas perguntei no que você trabalha. - Em livros. - Ah. E quem é que paga as tuas contas? Infelizmente, não posso demonstrar em público que do meu olho esquerdo sai um raio assassino. Então, abri minha carteira chanel chiquérrima, paguei a comanda e fui embora. Não sem antes roubar um punhado de balas de iogurte que é para ela deixar de ser grossa.
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h40
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Terminei o o livro com receitas. Veja que digo "com" receitas e não "de" receitas. É um romance contado através de cartas. Tem bisavó, descobertas de amor, um padre que levita, hortas, uma ilha misteriosa e claro, receitas. Vai sair pela editora carioca Memória Visual da poderosa Camila Perlingeiro. O título? Deveras muito queres saber.
Bisa,
Depois de quarenta e quatro tentativas frustradas consegui uma boa fornada de suspiros. Os de comer, Bisa. Os outros não precisam de tanto apuro técnico. Nas primeiras tentaivas os docinhos ora torravam por completo, ora derretiam. Senhorita disse que para um suspiro provocar o extâse deve ser firme aos dentes, porém ceder ao primeiro encontro com a língua. Este tipo de frase aparentemente sem sentido é o que faz com que as pessoas esperem um ou dois anos por um lugar na mesa do restaurante. Quando consegui o ponto exato entendi que suspiros branquinhos são capazes de transformar o juízo em um gato fujão. Só aparece quando quer. A senhora não acredita? Deveria ter visto os comensais da noite de ontem devorando a sobremesa com goles de vinho do porto. Em dado momento não sei se pelo vinho ou o doce as pessoas começaram a eliminar a escravidão a qual são normalmente impostas as palavas verdadeiras e desandaram a falar. Ouvimos vontades, desejos, sonhos não acontecidos, amores latejantes, relatos de conversas com anjos e quereres não acontecidos. Até ai, tudo quase na normalidade o susto mesmo veio quando um homem de terno azul-marinho levantou e deu um sonoro tapa na avó que o acompanhava. Ela não revidou. Apenas pediu mais suspiros. Disse que toda a vida teve uma moela no lugar do coração e que merecia aquele tapa e mais alguns outros. Sairam abraçados do restaurante. A vida anda mesmo muito forte cá para estes lados.
com amor,
Antônia
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h39
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Então, tá explicado
Lua cris: eclipse da lua, expressão arcaica, que é, por dua vez, alteração de eclipse, ecris,luaris, a lua cris sói originar sofrimentos, infortúnios,desgraças, doenças...ao lado do conhecimento científico do assunto, quanto ao influir cósmico, astronômico, sobre o organismo animal, perdura a superstição importada do além mar, em eras remotas. (Luis Câmara Cascudo - Dicionário do Folclore Brasileiro)
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h05
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