Cristiane Lisbôa


A palavra "sanatorinho" dá cócegas e ataques de riso intermináveis. Teste.
*
Amigo e eu não desistimos daquele assalto. E nem de versos incorretos. Muito menos de abismos. E de sobremesas com calda quente de chocolate.
*
Amanhã de manhã vou voltar. E daqui um tempo vou me acostuma-ar. Dan canta no foninho, concordo, concordo.
*
Telefonemas matinais.
Que horas são? Não tenho relógio. Sério. Tô atrasada. Dormi na sala, de novo. Vou dar aquela cama para os mendigos. Tu não é mendigo. Tá certo. Ainda não é. Pra que me ligaste esta hora? Não sou grossa, sou gaúcha. Ah. Não. Mas obrigada. Porque ainda nem acordei, estou atrasada, meu cabelo tá todo pra cima e não há condições de dizer alguma coisa além de “não” para todo e qualquer tipo de proposta. É. Digo muitas palavras por minuto. Não sou estranha. Sou mulher. O que? Este é um telefonema internacional? Como assim? Jantamos ontem. Conheço aviões, claro. Adeus? Prometo. Sem perguntas. Eu sei porque.
*
Livro bom da porra. Comentário de mesa de bar para Sylvia. E humilde. (piada interna, desculpem)
*
Hilda Hist, a negra gata, convidada para ser capa. No dia da foto, ar de diva, mau humor, preguiça, ódio, mordidas no fotógrafo, arranhões na diretora de arte, imitação de cobra. Quando a luz fica pronta ela se esconde. Gênio ruim é apelido. Carinhoso.
*
Não tem coisa certa. Fato.
*
Doa-se coração com fragmentos de lembranças, pedidos, sonhos, expectativas, sorrisos, cheiros, gostos, amanhecer, filhotes de gato, anéis, olhos, árvores, flores, desenhos, chuvas e um avô. Motivo: abandono da dona. Dizem que não foi por querer.


Escrito por Cristiane Lisboa às 17h28
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Não adianta procurar, tem coisa que não existe. No sonho discutimos, a vida é breve, a sala é gelada, as ondas dão caldo mas não matam. Nada mata. A não ser as armas de fogo e as facas afiadas. A pressão pela criatividade, penso em ratos brancos. Um deles ganhou o carinho do cientista que deu a ele o nome de Prodígio. E Prodígio precisa ser melhor que os outros ratos brancos , por isto, o cientista grita ao lado da jaula, mais rápido, corre, pula na mini roda gigante, come a ração, vai Prodígio, não me decepciona, tu sempre foste o melhor. E grita e Prodígio corre e puta que pariu tem vergonha de dizer que está cansado e quer água e um siesta, quem sabe uma ratinha. Prodígio não diz nada, corre, pula, vai, não pode decepcionar ninguém. Só ele mesmo. Piso em tachinhas douradas e asso bolos de maçã e ouço Marina de La Riva, percebo madrugadas, escrevo, não durmo, elejo sofá o melhor lugar da casa e dou a ele um prêmio em almofadas. A vida é mansa, embora não pareça, Mamãe me espera na rodoviária, vestido lilás, meia calça, bota de chacrete, bolsa dourada, pele inacreditável, avisa: cheguei aos 50 aterrorizando velhinhos. Não era pra rir. Coisas poucas. Letras raras, palavras baixas. Quem de nós? Oncinha na caneta, no chaveado, gatos de dieta, muito simples. A-han.

Escrito por Cristiane Lisboa às 13h10
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Não sobre amor, a peça de Felipe Hirsch transborda de uma beleza tão insuportável que ofende. Arrebata. Muda. A neve caindo sobre a moça da tela, a moça do palco, o coração do homem e as pistas falsas, as coisas que não são bem assim, o mundo em instantes fora do lugar. Se por acaso a peça estiver na tua cidade não chame ninguém. Vá sozinho, saia de lá em silêncio e sem grandes teorias sobre teatro, Sartre ou o amor. Só deixe que as coisas bonitas fiquem em ti tempo suficiente para serem absorvidas. Pode beber um conhaque. Não tenha medo dos centros das cidades. São todos iguais, os bebuns são os mesmos, os marginais também. O que te machuca não está nos outros. A vida misturada em ficção, onde começa o livro, onde termina o dia? Não há mais como saber e isto é bonito. E estranho. A gata agora mora dentro de uma mala, olha com olhos amarelos o envolta e, quando muito bem humorada, sobe na estante e me ataca. Abro garrafas, canto parabéns e sinceramente desejo que o amigo seja feliz do doer o peito. Ainda não compreendo e peço com sinceridade que as pessoas não me digam mais nada. Saber é sentir. Etmologicamente também. E sentir é o que menos quero. O que menos posso. Esta pessoa nova que vejo nas salas de cinema, nos jantares íntimos, nas ruas geladas do centro da cidade, na padaria velha, na papelaria de esquina, em frente ao meu computador, dentro do espelho usando meu casaco azul de listras brancas, esta pessoa nova me surpreende e baixa os olhos com frequência. Timidez. Acredito. Porque agora entendo que era preciso tanto tudo para que esta pessoa nova, esta pessoa que me encanta, me surpreende, me chama pra fora do poço existisse de falto. Esta pessoa nova que estava escondida atrás de uma infantil falta de medo aparece agora e a amiga diz: bem-vinda. Estávamos te esperando.E esta pessoa nova que vai sozinha ao teatros e cafés e que guarda canetas verdes em canecas presenteadas abre meus olhos de manhã e pela minha boca dá bom dia aos felinos, com as minhas mãos toma banho, abre a porta, desce pra rua e enfrenta o dia com o meu nariz bem empinado. Porque esta pessoa nova sabe que as coisas não são como nos sonhos. E que segunda-feira é só um dia depois do domingo.

Escrito por Cristiane Lisboa às 10h57
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Em uma coqueteleira prata bem falso brilhante misturo as doses do que me causa. Sirvo em taça alta de vidro transparente - as taças coloridas sempre me parecem conter cicuta ou sexy on the beach - e bebo sem sentir o gosto. Sei que é gelado. Como poderia não ser? No sono de dramim, sonho com um encontro na sorveteria onde digo: nem se tomar todo este sorvete tu alcança a temperatura do teu coração. Imediatamente digo: Irene Mirim. Pois só Irene Mirim diria isto em um encontro casual tão catastrófico dentro da fragilidade que tem sido os tempos. O dia azul inspira uma confiança infantil e a esperança volta a dar sinais, fênix de pobre, renasce toda torta e com o bico na bunda. Daqui a pouco volto a acreditar na árvore feita de borboletas amarelas, na lenda do pianista do mar, no poder embriagante da vaca preta (sorvete de creme + coca cola + vodka), em mini milagres, casacos que emagrecem e pessoas que aparecem sem avisar, apenas para um abraço dos fortes. Daqui a pouco.



Escrito por Cristiane Lisboa às 12h52
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Adélia Prado
quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
não sou feia que não possa casar,
acho o rio de janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
mas o que sinto escrevo. cumpro a sina.
inauguro linhagens, fundo reinos
dor não é amargura.
minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
mulher é desdobrável. eu sou.


Escrito por Cristiane Lisboa às 19h54
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- Foi a Angélica.
- Do "vou de táxi?"
- Não.
- A do banco imobiliário.
- Que coisa. E porque?
- Não sei.
- Você deve saber.
- Juro que não.
- Doeu?
- Na hora bastante. Aos poucos fui ficando amortecida.
- Amortecido é ruim.
- Mas é melhor que dor.
- Isto é.
- Ela não deu justificativa?
- Angélica? Alguma. Atravessou a rua atirando. Três pegaram certinho.
- E você?
- Como assim e eu?
- O que você fez?
- O que faz uma pessoa que toma três tiras a queima roupa? Arregalei o olho, né? E cai.
- Quando você caiu ela voltou?
- Não. Seguiu caminhando, como se nada tivesse acontecido. Fiquei com vontade de conversar, perguntar porque, estas coisas. Mas não ia adiantar nada.
- Você já estava agonizando?
- Sim.
- Mas mantive uma lucidez mórbida. Sabia de tudo, percebia o sangue escorrendo, a vida acabando.
- Você é muito lúcida.
- Todo mundo sempre me chamou de louca, como tu pode dizer que sou lúcida?
- Quase todos que chegam aqui, gritam muito quando me encontram. Você disse oi.
- Tu me disseste oi primeiro.
- Disse, mas você poderia ter gritado.
- Achei melhor não.
- Viu só? Lucidez.
- Que seja.
- Minhas irmãs estão contentes com o tom da sua pele.
- Porque?
- Quando é clarinha assim, é doce.
- Isto eu não sabia.
- Pois é.
- Vamos começar pela cabeça, tá? O buraco ali é maior e já está podre.
- Tudo bem.
- Depois a gente vai para o resto do corpo.
- Posso ficar de olhos fechados?
- Podemos comer seu olho logo depois da cabeça, se você quiser.
- Seria uma boa.
- Será uma honra devorar seu cadáver.
- Que bom. Dona Lesma?
- Sim?
- Vai doer?
- Nada demais. Você já deve ter sentido dores piores.
- Provável.
- Vou chamar as meninas.
- Foi um prazer.
- Pra mim também. Até nunca mais.

Escrito por Cristiane Lisboa às 10h55
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Naquela tarde e veja, não era frio, não chovia, não havia sequer um relâmpago se aproximando ou coisa assim, posso até jurar que passarinhos cantavam com aquela felicidade histérica que lhes é peculiar, pois naquela tarde que era só uma tarde relativamente morna para quente, perdi. A cor dos lábios, uma certeza que ocupava imenso espaço interno, litros de orgulho, minha gargalhada número três e um certo brilho no olho. Coisas absolutamente irrecuperáveis como vês. Posso conseguir parecidas ou novas, quem sabe inéditas. Mas aquelas, aquelas se foram para sempre como se vão todas as coisas que morrem. E hoje, quando deito na rede azul e fecho os olhos, desvio daquela tarde para poder entrar nos pensamentos. E já nem estranho. Sei que quando entro, tenho aquela tarde quase quente, morna, para desviar. As vezes, me demoro mais olhando, as vezes menos, as vezes sequer percebo com lucidez e mal entro estou no pensamento/sonho/pesadelo/preocupação/imagem/letra/música adiante. Em noites como esta, a tarde me persegue. Se houvesse um tribunal divino esta tarde certamente seria condenada a morrer em um daqueles paredões onde militares em começo de carreira atiravam em pobres coitados. Morreria a tarde e fantasma, seria mais fácil. Mesa branca, dois pedidos, siga a luz tarde morna, quente? e me deixe em paz. Mas não há tribunal. Não há julgamentos ou condenação para tardes infames que sem dó algum fazem com que as pessoas percam suas preciosidades. Mas a culpa nem é da tarde, dirão alguns. E não discordo de todo. Acontece, que entre as possibilidades de culpa, a tarde é a menos improvável. Problema dela.

Escrito por Cristiane Lisboa às 01h23
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Antes tarde do que nunca:

"Ai, xangô, xangô menino, das fogueiras de São João. Tome conta do destino Xangô. Da fogueira e da razão. Céu de estrelas sem destinos, de beleza sem razão. Noites tão frias de Junho Xangô. Ai São João, Xangô menino. Viva São João."

Maria Bethania no Cd Brasileirinho.

*

Já tomaste quentão hoje?

*

As vezes, quando a cortina se abre, dá vontade de correr. Não corra.

*

Da caixa de lápis de cor só uso o verde. Porque minha esperança é uma maragato teimosa. E só vai morrer de morte matada. Uma arma, por favor.

*

Hoje a noite na Livraria da Vila entre 18 e 22 horas, Andrea del Fuego, la mujer, lança " A Sociedade da Caveira de Cristal" Engrosse a fila de autógrafos, meu bem. E entenda porque é do fogo.



Escrito por Cristiane Lisboa às 10h23
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Omara Portuondo e Maria Bethânia cantam, cantam, cantam, gosto sobretudo quando Omara diz: brincos de princesa. Os gatos dormem, é inverno, eu escrevo, é o que sei. Mais isto e um pouco mais daquilo e seria a vida que pedi a Deus. Veja só como sou facinha. A despeito do que pensam de mim. Pausa para risos. E duas lagrimazinhas. Para não perder o hábito.

Escrito por Cristiane Lisboa às 11h47
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" O amor precisa do cimento e das telhas de uma casa, sólidas paredes e telhado protetor. Mas, das janelas abertas para o mundo, uma vai estar sempre escancarada para um pátio íntimo e florido onde a sua lembrança me inunda de perfume. Hoje de manhã, no banho, cantei pra você: "These foolish things remind me of you." Como você pode não ter ouvido, ai do outro lado mar, eu ponho agora no papel. E te agradeço, com carinho."

Canteiros de Saturno, Ana Maria Machado (Ed. Nova Fronteira). Desde muito o livro que faz todo sentido nas minhas escolhas e caminhos. Que coisa, não?

Escrito por Cristiane Lisboa às 11h04
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Todíssimas as coisas dão absolutamente errado. Umcoisassimimpressionante. Valha-nos Deus, Nossa Senhora e bate na madeira, tira o chapéu para passar debaixo da aroeira. Quando a coisa fica assim, insana, o Demo mostra o rabo e o condado se mostra hostil e cruel sempre encontro o amigo na rua. Sem combinar. E ele abraça forte e compra revistas, conhaque, elogia o sapato e diz no meio da conversa "O amor sempre lhe será grato. Confia, branquinha, confia. Quem ama uma hora ou outra começa a ser amado". E achamos que isto daria uma música, mas deve ser de alguém, não deve? e desistimos e faz frio e andamos mais rápido e da boca sai fumacinha e de maquiagem errada desco a rua Augusta sem tropeçar. Amanhece em São Paulo e passo a crer que jamais vou voltar a dormir.

Escrito por Cristiane Lisboa às 15h18
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i-ching me salva desde que aprendi a ler
Nove em cima: A estagnação acabou. No começo, estagnação. No fim, grandes alegrias. O tempo de decadência não se converte por si mesmo em paz e florescimento, mas exige esforço para ser eliminado. A atitude criadora do homem é necessária para restaurar a ordem do mundo. Um dia a estagnação tinha que ser superada. Como poderia durar para sempre?

Escrito por Cristiane Lisboa às 16h05
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Pausa para nosso comercial
Papel Manteiga para embrulhar segredos, o livro com título mais lindo que se tem notícia (e modéstia a puta que pariu) acaba de ganhar segunda edição com dois mil exemplares.

Sylvia não sabe dançar está no balcão de entrada da livraria Cultura do Conjunto Nacional, do lado de Noll e Jorge Amado. Uau.

A primeira publicação da Simples está na gráfica neste exato momento.

Tim,tim. E amém nóis tudim.



Escrito por Cristiane Lisboa às 20h23
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Falo em espanhol durante a noite. Isto alguém me disse porque, como deves imaginar, não me ouço. Porque estou dormindo e quando durmo só ouço as teclas da máquina de escrever e o barulho das gavetas abrindo e fechando no peito. O dia vira uma cinza só, ouço "sumida" de todos com quem falo, será? As decisões tem pesos, medidas, as novidades calam porque precisavam de uma comemoração específica que nem sequer existe mais. O que existe ainda, aliás? Escrevo no corredor e deito no chão, mas sob almofadas. Trabalho sem parar, sem olhar para os lados, pensando em borboletas e chá de erva cidreira e bolo de fubá com erva doce esmigalhada. Lembro das manhãs e quase choro, pra que tanta consciência? Toca Mutantes, sopro lantejoulas pela janela, deixo o telefone tocar sem resposta e abro o livro. Aquele. Tsc,tsc.

Escrito por Cristiane Lisboa às 19h12
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Já é amanhã e o amigo e eu falamos pelos cotovelos através dos dedos nas teclas, plec,plec, acredito na opção randômica e começa a tocar o que? Cazuza. Porque as madrugadas não tem pena de ninguém e certos anjos da guarda gostam de mostrar serviço. "Ela não pulou, viu só?" Falamos nós e quando dói ele conta sapatos, ainda tem botas, vai sobreviver. Com uma obsessão que beira Toc, a doença do Rei e da Luciana Vendramini arrumo a estante, corto o dedo indicador, vou até o supermercado 24 horas comprar pregos, pipoca de microondas e um tapawer novo, tampa azul, veda bem, posso guardar ali meu fígado. As coisas fazem sentido mas não tem graça alguma, é sábado e ouvimos música e falamos sem que som algum saia da nossa boca. Então era pra isto tanta aula na faculdade, tanto livro, tanto papo, tantas droguinhas, tanto regime? Hilda Hist, a gata se aninha no meu colo e dá mini suspiros que compreendo bem o que significam. O amigo pensa em como avisar: eu também sinto, sabia? A amiga está na Bahia, talvez volte qualquer dia. E nós estamos vivendo, estamos tentando. Que Oxum nos proteja do auto-engano. Que as noites de inverno sejam mais generosas. Que YSL olhe aqui pra baixo e jogue umas peças de roupa. Que ao menos um terço dos nosso planos mais delirantes aconteçam. E que o coração pare dentro do peito. Ao menos esta noite.


“O coração dele fala comigo enquanto dorme, que é quando ele está desarmado.”
Ademir Corrêa.


Escrito por Cristiane Lisboa às 00h47
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